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Quinta-feira, Abril 29, 2004
A todos vocês que não estão aqui
mas, tão perto ou tão longe, estiveram um dia...
"How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here"
(Pink Floyd)
postado por: Luisa 12:14 AM
Palavrinhas:
Sábado, Abril 24, 2004
Encontros e Desencontros
Nossa vida é feita de encontros e desencontros. Enquanto alguns surgem no nosso caminho, outros vão embora por outra estrada. O encontro da nossa vida, às vezes, não passa de um simples desencontro. A gente pensa que encontrou a pessoa certa e se descobre desencontrada do mundo. Mas, aparentes desencontros também podem ser o encontro que não esperávamos. Afinal, os encontros surgem assim, geralmente, inesperados. Invadem nossos dias normais e transformam nossos instantes em momentos eternizados. Têm pessoas que são verdadeiros encontros em nossa vida. Outras são só desencontros e nada mais.
Um encontro é aquela pessoa que chega manso, falando baixinho e marcando presença, mesmo longe. Desencontro é aquela que chega arrebatadora, arrancando certezas, como um furacão. Vem depressa, enlouquece o nosso mundo e depois vai embora. Encontro vem em passos leves, mas firmes. Vem seguro. Se vai embora, fica uma saudade boa. A gente sabe onde encontrar de novo. Desencontro não. É uma peça fora do quebra-cabeça. Mexe com nossas idéias. Mas dá a idéia de ser uma outra coisa. No fim, a gente vê que não é nada daquilo. E sempre há um fim.
Essa é a diferença.
Encontros não têm fim. São sempre recomeços.
postado por: Luisa 1:02 AM
Palavrinhas:
Sexta-feira, Abril 16, 2004
Um brinde à amizade!
Angel
De um encontro
Inesperada - nasce uma amizade
E já não sei por que porta às vezes bate a saudade
Sei que a mão à procura acusa a distância
Permanece a palavra que te alcança
Vai meu pensamento num sopro aonde quiser
Hoje a vontade é de voar
Mas sei que minhas asas batem em outros compassos
Diferentes dos teus passos que busco entender
O tempo correndo solto pelo espaço
Foi você quem me chamou?
Ou fui eu que chamei por você?
Fiquei acordada
E o teu nome aceso
Na memória eterna do tempo instante
(setembro - 2003)
postado por: Luisa 1:02 AM
Palavrinhas:
Quarta-feira, Abril 14, 2004
Eu Sei, Mas Não Devia
(Marina Colasanti)
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
postado por: Luisa 11:42 PM
Palavrinhas:
O grito dela
A mulher nasce, cresce, estuda nos melhores colégios, vai para a faculdade, fica maravilhosa, lê bons livros, assiste os melhores filmes, aprende a se vestir e ter estilo, sem ser fútil, e sem perder o charme de garota inteligente. Ok. Tudo isso pra quê? Pra depois chegar um mané qualquer tirando onda de dono do pedaço?
A gente passa a vida inteira beijando sapo pra ver se acha um principezinho encantado que seja. Sim, porque mulher assiste muita TV. É nisso que dá: muita comédia romântica da Meg Ryan, muita balada pop e nenhum namorado. Aí quando aparece o primeiro bobo recitando meia dúzia de ditados, mentiras e agrados a gente se entrega.
Resultado: o "príncipe em potencial" te conheceu há pouco tempo, mal sabe da sua vida, sua família, e já vem querendo te colocar no jeito dele. O cara foi talvez o último a chegar no seu círculo de amizades e ainda acha que deve ter mais exclusividade que os outros. Nunca viveu na tua casa, não te viu criança, nem participou da tua educação, mas, ainda assim, acha que pode te cobrar agir dessa ou daquela maneira, porque dessa forma que você sempre agiu, está errado (na concepção dele, claro).
Pô, a mulher se divide em mil e uma atividades, estuda, trabalha, faz ginástica pra manter a forma, passa adiante a sobremesa do almoço pra não engordar, faz depilação, unha, curso de inglês, dança, ainda arranja tempo pra ver o namorado no final do dia, pra ser cobrada por pontualidade? Pra ouvir reclamação de que aquela roupa não tá legal? O decote está muito grande ou a saia muito curta? O cara não passa por metade do que a mulher vive no dia a dia (da menstruação à gravidez) e vem querer dizer o que ela deve vestir? Ao meu ver, isso é coisa para meninos, não homens.
O que eu acho incrível é que a mulher lutou a vida inteira por independência, liberdade, o direito de ser ela mesma e fazer o que quiser, tendo passado uma boa fase de sua juventude contestando pai e mãe, pra depois abaixar a cabeça pro marido que um dia foi um bom (quem sabe, razoável) namorado? Quer dizer que a gente faz quatro, cinco anos de faculdade pra ficar recebendo reclamação do "maridinho" querido porque estamos chegando tarde em casa, trabalhando demais ou porque, simplesmente, a janta não está na mesa?
Sinceramente, eu tenho mais o que fazer. E vocês, homens, deveriam também procurar algo mais relevante com o que se preocupar, em vez de querer dar uma de pai de suas mulheres. Ok... Ataque feminista? Talvez. E olha que eu não estou passando por nada disso, ou perto disso. Nem pretendo. Mas é que, às vezes, precisa-se virar a mesa para mudar o jogo - revirar papéis e convenções só pra testar.
postado por: Luisa 2:47 AM
Palavrinhas:
Terça-feira, Abril 13, 2004
Paraíso Astral:
beatles. canon, de pachelbel. a nona sinfonia de beethoven. chocolate da kopenhagen. o mar. a lua. fim de tarde. céu estrelado. sorvete. fim de semana de sol na praia. namorado. cinema. "amor nos tempos do cólera". conversar até tarde. café no trabalho. chocolate quente no frio. devorar um bom livro. poesia. afilhado.
postado por: Luisa 12:02 AM
Palavrinhas:
Segunda-feira, Abril 12, 2004
Inferno Astral:
trabalhar no fim de semana. prova final. renite alérgica. barata. dor de garganta. ciúmes. pagode alto no som do vizinho. o compromisso de acordar cedo. cálculos matemáticos. corrupção. violência. calor. engarrafamento. tossir sem parar. soluço. desencanto.
postado por: Luisa 11:49 PM
Palavrinhas:
Domingo, Abril 11, 2004
Uma tarde com a família. E um sábado à noite em casa. Um bom livro numa rede. E uma sobremesa pra botar na geladeira. Um fim de semana feriado. E uma cama pra dormir até mais tarde sem se preocupar com compromissos. Uma vidinha light e tudo seguindo dentro dos conformes. Uma calmaria e uma busca por sossego que alguns chamam de seriedade, maresia ou até mesmice. O que seja. Hoje em dia tem me dado mais prazer um cinema à noite, a descoberta de um livro novo, um seriado na tv antes de dormir, um papo com amigos e um sorvete após o almoço. Mas, o que eu bem queria era alguém pra segurar na mão e ver o entardecer cair do céu...
postado por: Luisa 4:58 AM
Palavrinhas:
Sábado, Abril 10, 2004
do lado de dentro
Esses sentimentos que ficam aqui guardados demoram de chegar à tona. É preciso esforço, trabalho, empenho para tirá-los do fundo, trazê-los pra perto do mundo. E te mostrar. Por isso as dúvidas. Tantas. Sempre. Pois que nem eu os conheço, às vezes, nem sei se existem. Escondem-se. Ah, mas há de existir tuas mãos divinas para me abrir o peito e me fazer sentir o que talvez nunca me tenham feito. Só me basta uma oportunidade? O que me falta é a chance que me devo? Pois que assim seja.
postado por: Luisa 12:10 AM
Palavrinhas:
Segunda-feira, Abril 05, 2004
"Como é que se pode ver a curva tão larga das coisas se se está tão próximo como é próximo o dia? Pois se às vezes a palavra que falta para completar um pensamento pode levar meia vida para aparecer."
(Cartas perto do coração: de Clarice para Fernando)
postado por: Luisa 11:45 PM
Palavrinhas:
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