O Avesso da Palavra

Segunda-feira, Janeiro 24, 2005




Há musicas nesse disco que não se explicam. The Songs We Were Singing, Somedays, Calico Skies. Paul soa doce aos meus ouvidos. Seu roque balada com guitarras suaves e leves toques de blues fazem da melodia um romance. E, nesse momento, se você olhar pra mim vai ver que eu estou lhe tirando pra dançar...

postado por: Luisa 11:00 PM Palavrinhas:


Quinta-feira, Janeiro 20, 2005


Diga agora ou cale-se para sempre...

Estou numa fase da vida em que as pessoas não namoram mais. Elas casam. Simplesmente. Ontem fui a um encontro de amigas, reunião de mulheres. Nada de homens. Acontece que, das presentes, três são casadas e já têm babys, enquanto uma outra está noiva. O que está havendo?? Eu me pergunto.

Outro dia, em plena tarde no msn, uma das minhas grandes amigas desde a infância, avisa: casei! Como assim? É, morando junto, dando entrada em papéis e tudo o mais. Começo a ficar assustada com tantas propostas aceitas, firmadas. Tá todo mundo casando. Literalmente, não é só uma brincadeira ou planos distantes. Tenho cinco amigas próximas, todas crescidas junto comigo, casadas. Três mais novas que eu. Duas com filhos. Uma outra, morando longe, pouco mais velha que eu, já está separada e cria um filhinho de alguns anos. E não são só as mulheres, dois primos estão pra casar em breve. Um grande amigo já anuncia: esse ano casa. Há alguns anos atrás, quando nos conhecemos, eu jamais poderia prever isso. Fico feliz por todos eles, mas não deixo de ficar supresa com tanta novidade assim.

É, afinal, o tempo passa. Só posso constatar isso. A adolescência perdida ou conquistada fica pra trás. Quando me dou conta, olho ao redor, tudo é tão diferente de antes. A vida se movimenta, cria caminhos inesperados, dobra a esquina e muda de rumo. De repente tudo muda, e se transforma cada vez mais. A gente tenta acompanhar, cada um a seu jeito e como pode. E vai seguindo. Ah, sábado, acabo de ser lembrada, tem o casamento de uma colega de trabalho. Bom, ainda bem que tenho algumas boas amigas solteiras pra me acompanhar pelos próximos anos.

postado por: Luisa 4:31 PM Palavrinhas:


Quarta-feira, Janeiro 12, 2005


O meu diário, em um dia de verão

Na TV, o final de um episódio de Sex And The City, na cama O Diário de Bridget Jones. O assunto em pauta é, como sempre, a mulher. Em todos seus meandros: planos, inseguranças, muitas dúvidas e mil e uma características tão peculiares quanto típicas de qualquer garota, dos 20 aos 40 [pra restringir bastante]. Tão eu, quanto qualquer uma. Por isso é tão bobo e simples, porque é comum e tem uma em cada esquina, mesmo. E por conta disso a gente se identifica.

Antes, voltando um pouco mais no tempo, uma tentativa frustrada de pegar um cineminha. Detalhe: é férias nos colégios e os adolescentes estão por toda parte, e o pior, em bandos. Resultado: filas enormes e cinema lotado. Tenho certeza de que se o inferno existe, era aquele lugar [hoje fui ao inferno e voltei]. Opção descartada, um yaksoba vai bem. Mata a fome, além de dar um toque oriental a esse ocidente mundo. O macarrão parece miojo, mas a gente finge que não. Carne, frango, camarão e muitos legumes. Não fosse minha total falta de habilidade culinária, tentaria fazer em casa. Bem, um dia desses vou tentar, só pra ver.

Engraçado, a cidade parece mais cheia hoje. Engarrafamento, muitos carros na rua, muita gente por todo lado. Acho que tinha esquecido como é o verão em Salvador: de dia você pede pra morrer torrando no sol no meio de um congestionamento, de noite você pensa que bem poderia voltar àquela fase de farra, festa e nada pra fazer. Agora, de volta ao jornal, a noite finda. O mesmo lugar onde comecei minha noite é onde ela termina.

Quem, a uma hora dessas, depois de tentar pegar um cinema, comer um yaksoba, enfrentar o trânsito lento no meio da noite, assistir o final de uma série de TV, ler algumas páginas de um livro, ainda volta ao trabalho, em sã consciência? Bem, eu. E quem está me pagando por isso, por esse horário extra? Ninguém. Por sinal, não sei nem se já recebi o meu salário do mês passado. Mas quando a gente se sente últi em alguma coisa, produzindo, fazendo parte, então vale a pena.

Por isso, sentada numa redação de jornal, em frente a um computador, ainda estou aqui digitando essas palavras. De alguma forma, me faz bem também. É como ler uma boa coluna da TPM ou da Martha Medeiros na net, conversar com um amigo no msn, ver um episódio de Sex And The City em meu quarto, ou ler um livro que me instiga, bem, em qualquer lugar. Mas, olha, deixa eu ir andando... ainda tenho de pegar uns primos lá onde se paga os pecados. Dessa vez, vou passar em frente, pra não ter de descer ao inferno duas vezes no mesmo dia.

postado por: Luisa 11:01 PM Palavrinhas:


Sexta-feira, Janeiro 07, 2005


Pra começar o ano, um pequeno conto meu, escrito pelos idos de 2002... enfim, postado!
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Olhares Eternos

Se olharam mais uma vez. Ela já não sabia o que pensar. Ficava muito tímida quando essas coisas aconteciam. Tentava decifrar aqueles olhares, sempre incógnitos, que nada diziam.

Ele a olhava com um olhar de mistério, como a decifrar seus olhos. Ela o olhava com curiosidade, tentando decifrar seu rosto. Conversavam muito, sobre muitas coisas, mas nenhum dizia palavra sobre aqueles olhares. Olhares que às vezes se perdiam na confusão da sala de aula. E ela, sem saber o que pensar, ficava parada, a se perguntar. Questionava-se muito, sobre que razão ele a olhava tanto. Ela, de qualquer forma, retribuía-lhe os olhares sempre. Olhava-o de volta, a fim de descobrir o que diziam aqueles olhares que nada diziam. Ela aprendera a gostar de olhá-lo.

Quando estavam juntos, conversando, era diferente. Parecia que nada mais existia, inclusive aqueles anteriores olhares. Ela cada vez mais confusa. Ele sempre um mistério aos olhos dela. Por mais que conversassem, algo sempre lhe fugia. Ela queria desvendar-lhe a alma, todos seus segredos. E ele, o que queria? O que queria dela?

Conheciam-se não fazia muito tempo. A simpatia tinha sido mútua e agora iniciavam uma amizade. Mas eram aqueles olhares que a deixavam inerme. Algumas vezes, quando se encontravam, ele apenas olhava-a e sorria. Nada dizia. Ela sorria-lhe de volta e tentava extrair-lhe alguma palavra. Ele não se deixava invadir. Ela se deixava invadir por inteira. Na verdade, queria mesmo ser decifrada. Sonhava que ele, somente com o olhar, pudesse lhe desvendar. Queria ser definida pelos olhos dele. Assim como procurava defini-lo, mas não conseguia.

Eram colegas. Amigos. Ele com aquele jeito de quem já sabe de tudo, perguntando muitas coisas a ela, como se realmente as quisesse saber. Ela, perdida entre outras viagens, tentando lhe responder alguma coisa, explicar coisas que não sabia ou não tinha certeza. Ele, sem nunca lhe confessar o verdadeiro segredo, o seu mistério. Ela, quase confessando tudo. Coisas que nem fazia idéia.

A primeira vez que se viram não houve encanto algum. Eram apenas duas pessoas estranhas, num universo comum. A primeira vez que se falaram foi por causa de um trabalho de grupo. Eram da mesma equipe. Com isso, começaram a se conhecer, como já haviam conhecido tantas outras pessoas antes. No início, na verdade, ela mal notara sua existência. Ele, de longe, a observava. Ela, alheia a tudo, nada percebia. Só quando começaram a se conhecer melhor, fora da sala de aula, é que pôde perceber nele algo de diferente.

A partir de então, começou a notar que ele a observava. Olhava-a insistentemente, até que ela o olhasse de volta. No início, ela logo tirava os olhos. Desviava os olhares sempre. Ficava sem graça. Queria sumir diante dos olhos dele. Ao mesmo tempo, uma curiosidade grande lhe atraía, mas não queria lhe dar ousadia. Quem era aquele garoto que tanto a olhava e o que procurava em seus olhos? Quando passaram a ficar mais amigos, ela foi se deixando levar por seu jeito espontâneo e cativante. Passou a retribuir-lhe os olhares com tanta curiosidade quanto carinho.

Gostava de olhá-lo. Sua pele bronzeada, seus olhos levemente puxados, seu sorriso quase sedutor. Tudo agora lhe parecia um convite ao passeio incansável dos olhos de um sobre os do outro. E assim se deixava levar por completo.

Nesse dia, foi ela quem olhou primeiro. Insistentemente, até que ele a olhasse. Queria descobrir-lhe, os motivos, as verdades, os segredos. Ele estava sério. Muitas vezes, ela o olhava, sem que ele a visse. Mas, as trocas de olhares quem intencionalmente iniciava era ele. Dessa vez, tinha sido ela. Ele, sério, a olhou com alguma expressão muito vaga. Ela quis tirar os olhos, mas manteve o olhar firme. Quem tirou os olhos, agora, foi ele. Pouco tempo depois, procurando prestar atenção à aula que seguia indiferente, ela sentiu-se observada. Ele a olhava. Ela quis não dar atenção. Tentou ao máximo, até que o olhou demonstrando certa irritação. Ele apenas sorriu-lhe, sinceramente. No instante seguinte, se olharam mais uma vez.

Não se viram mais durante o resto do dia. Ela, agora sozinha, esperando o ônibus passar, compreendia tudo. Havia procurado muitas explicações, havia criado muitas expectativas sobre o que, na verdade, não existia. Não, não tinha sido tudo um sonho. Não, não era apenas imaginação. Era essa, mesmo, a realidade.

Sim, era preciso enxergar além. O segredo do olhar estava na constante procura e no eterno encontro. A beleza toda estava mesmo na doce tristeza de nunca ter sido. E era esse o encanto.

postado por: Luisa 11:42 AM Palavrinhas:


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