O Avesso da Palavra

Sábado, Fevereiro 26, 2005


Caco de Vidro

Carrie, Clodagh, Ashling, Felicity, Bridget. Tenho um pouco de cada uma delas. Personagens da ficção que ecoam na minha vida real. Mulheres. Em comum, problemas, experiências, dúvidas, inseguranças. Vejo nelas o que também identifico em mim. Carrego esta incerteza que me impulsiona para frente sempre um pouco mais. Na dúvida, melhor não ficar parada.

Estou espalhada por aí. Caquinhos de mim pelo chão, nas esquinas, ou por entre as pessoas que encontro no caminho. Um pouquinho aqui, outro acolá. Um pé lá, outro cá. Me vejo assim: dividida pela dualidade que me é tão própria. Do que sou e do que poderia ser. Ah, as escolhas... são tantas as possibilidades, que me perco nelas. Decisão nunca foi mesmo o meu forte. Às vezes, parece mais difícil do que é. Às vezes, quem complica sou eu. Ou seria sempre?

Se racionalizo, se sigo impulsos. Se idealizo, se boto demais o pé no chão. Se sigo, se ainda fico à espera. Os dois extremos sempre parecem tão próximos a mim, enquanto o caminho do meio tão pouco atraente se mostra. Por isso opostos: oito ou oitenta. Por isso o barroco. O indefinido. O de tudo um pouco.

O personagem de um filme que assisti outro dia dizia que somos a soma de todos os momentos de nossa vida. Desdobrando isso, podemos ver que somos a soma de nossas escolhas, assim como somos a soma de nossas relações. Não só amorosas, é claro. Relações de amizade, familiares, dos colegas da escola, da faculdade e do trabalho. Relações travadas às pressas com um estranho na rua, numa outra cidade, ou dentro do ônibus. Cada pessoa que toca o meu caminho, toca um pouco em mim. Uns bem menos, outros muito mais. Cada um, a seu jeito, faz de mim tudo o que sou.

E, no fundo, acho que ainda sou a mesma garota boba da adolescência, perdida em sonhos, planos, desejos e muitas idéias. Talvez um pouco mais segura de si, mas ainda assim perdida. Me faço de durona pra parecer um pouco mais forte, mais dona de mim. E me imponho de um jeito que me faça parecer menos vunerável, um tanto inatingivel até. A verdade, você sabe, é que estou tateando passos no escuro. Um dia ainda me encontro, entre as tantas de mim espalhadas por aí.

postado por: Luisa 1:52 PM Palavrinhas:


Sábado, Fevereiro 12, 2005


Todo Carnaval Tem Seu Fim

"(...) Toda rosa é rosa
Porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você
Não liga se é usada
Todo carnaval tem seu fim
Todo carnaval tem seu fim
E é o fim
É o fim

Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz
Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz (...)"

[Los Hermanos]

postado por: Luisa 10:03 AM Palavrinhas:


Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005


Minha vida agora poderia se resumir nesse gole de café que eu acabei de dar. De uma vez só. Forte para me manter acordada pelas próximas horas, já que perdi uma noite inteira em claro. E então, de repente, alguma coisa na minha cabeça começa a funcionar. Não sei... Talvez seja o efeito do sono ao avesso. Talvez seja a parte de mim que ainda resta do dia anterior que não teve um ponto final. Pois, como tudo na vida, nada é definitivo e todos o pontos pressupõem a vírgula do texto seguinte.

postado por: Luisa 4:17 PM Palavrinhas:


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