[Ainda do baú... das aulas de criação]
Momentos
Tenho saudade de te ver sorrir
Tenho saudade de te dar bom dia
E te ver passar
Sinto falta daqueles momentos
Que eu bem me lembro
Das nossas conversas intermináveis
Dos nossos papos-cabeça
E dos bilhetinhos que trocamos
Sem sabermos nós que aquilo era tudo o que importava
Hoje me lembro bem
Daquelas manhãs e tardes sem sol
Da chuva que caía fina, mas tudo bem
Porque ainda tínhamos as nuvens pra brincar
Essas memórias
Que só eu posso guardar na lembrança
Não sei mais se foram verdades
Talvez eu tenha criado tudo como em um romance
Que eu nunca publiquei
Começo a misturar imagens e pensamentos
E me perco no seu rosto que já não sei qual é
Você foi esse ou aquele?
Será que você lembra ainda de mim?
Será que eu ainda sei quem você é?
O que me lembro mesmo
São de momentos que se passaram
E hoje buscando fundo nas minhas recordações
Tenho medo apenas de que eles nunca tenham existido
[De algum lugar do meu baú...]
Num instante que me perco
Perdida em qualquer lugar... cercada de livros, árvores, angústias. Perdida dentro de mim mesma. Já não importa o quê. Já não importa onde. Alguma coisa faz sentido pra você? Quero poder te dizer o que eu nem sei se quero. Quero abrir os braços e num abraço sacudir o mundo. Compreender todas as formas de amar, de ser feliz, de viver e voar por cima de todos os muros.
E os segundos todos que passaram por nós serão eternos ou sempre presentes? Serei apenas uma boba, no final? E, no final, o que será? Não sei se isso é sonho ou só viagem. Às vezes me perco num instante de sentimento. Você precisa me ensinar o caminho de volta. A gente sempre precisa voltar.
Eu chamo por você. Mas não sei mesmo se sei quem você é. Existe alguém além de mim? Quero soltar tudo o que vive preso aqui dentro. Botar pra fora as certezas, as dúvidas e o que mais vier. Sumir na velocidade de um grito. Esquecer-me como te esqueço. E num breve instante que me perco, voltar à superfície e recobrar a consciência.
Uma sexta-feira à noite chuvosa, nublada. Um cinema à espera com pão de queijo no colo. Na tela, um filme encantador mostra a história de uma família turca de origem grega, deportada de Istambul rumo a Athenas, na década de 60. Desta família se destaca um lindo garotinho que aos sete anos já aprende a cozinhar.
Neto de um sábio da culinária e dono de uma lojinha de especiarias, o garoto Fanis segue atento os ensinamentos do avô. Com ele aprende que dentro do termo gastronomia existe o léxico astronomia. Aprende que o sol é representado pela pimenta, que vai bem com toda comida; vênus é afrodite, representado pela canela, doce e amarga como toda mulher; e a terra é o sal, o Tempero da Vida.
Não bastasse o filme ser leve e saboroso, traz percepções de mundo por meio de belos toques gastronômicos. A vida, afinal, pode se revelar um grande banquete: composto por antepastos [o nosso passado], prato principal [onde igredientes escondidos dão o toque necessário], e as sobremesas [o epílogo para qualquer boa história].