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Segunda-feira, Maio 30, 2005
A cidade despertou mais cheia. As ruas transbordando carros por todo lado diziam que já não havia mais tempo. O café ficou esfriando sabores em cima da mesa mal arrumada. Ao lado, um recado, um rabisco, e o teu nome à espera. A cidade definitivamente mais cheia. As pessoas iam e viam, mas continuavam sem saber. E ela, para onde? Para onde ela ia? Os minutos já corriam na pressa do dia que passava ao passar das horas. Nada além de horários, compromissos e alguns encontros. Poucos, quase nada. Não havia tempo. O café já esfriava em cima da mesa. E o teu recado ficou lá, sem destinatário. Os carros eram muitos e, no zig-zag dos rumos entrecortados, atrapalhavam a segunda-feira. Cansada de todo dia perdida nas ruas lotadas de trânsito e intenções voltou para casa antes mesmo do acender de luzes. À mesa, um bilhete e uma caneca. O café voltou a esquentar seus sonhos. E a segunda-feira se fez inteira outra vez.
postado por: Luisa 9:58 AM
Palavrinhas:
Terça-feira, Maio 24, 2005
enquanto isso
estou assim, no enquanto a vida vem/ composta de e s p a ç o s e algumas vírgulas,,, é verdade/ atrelada aos entretantos dos meus porquês/ nas minhas pontuações reticentes... um . final que não chega/ ainda bem/
nesse ritmo, nesse canto/ busco encantos definidos/ me jogo no balanço/ faço meu o teu pedido/ só me diz, por um instante, qual estrada sigo/ minha rota destraçada, nessas voltas mal dadas... já não sei se vou ou fico/
se já perdi o ____fio da meada/ faltam palavras pra me acompanhar nesse raso itinierário/ da trajetória inacabada/ se eu disser um não, se eu disser um sim/ não importa/ estou vestida de entantos/ e no mergulho das incertezas/ te alcanço o pulso numfôlegosó
[talvez o que me reste agora seja um pouco menos de (...) vazio]
postado por: Luisa 10:57 PM
Palavrinhas:
Segunda-feira, Maio 23, 2005
"A lua, quando ela roda, é nova, crescente ou meia lua, é cheia... E quando ela roda minguante e meia, depois é lua novamente..." [mpb4]
postado por: Luisa 9:41 PM
Palavrinhas:
Domingo, Maio 08, 2005
Quase lá
Pensar na idade talvez seja um dos bom métodos de pensar na própria vida. Reflexão é uma chance que temos, pelo menos, a cada ano de, em uma determinada época, parar um pouco e pensar. O exercício, é claro, deveria ser constante, até diário. Mas, em ocasião de aniversário, o caráter é especial.
A vida, não só a vivida ou a pensada como especifica Fernando Pessoa, é muito mais ampla. E o mundo, o mundo é muito maior que os limites do meu universo. Por isso, há em mim um sentimento muito forte, um pulsar estranho e arrebatedor que me quer expulsar daqui mundo afora. A necessidade que guardo em mim é muito clara, e será cumprida, em seu devido tempo.
Às vezes somos capazes de pensar que vivemos muita coisa, passamos por muitas estradas. Mas, diante da amplitude da vida, da diversidade de histórias, quem sou eu? A gente é menor do que imagina. Mas isso não é algo ruim. É assim como é. O mistério maior está em se descobrir. Quem pensa que se conhece por inteiro, se fecha para entrar em contato com algo muito mais íntimo de si mesmo. Viver é se conhecer. E acredito que a nossa vida vivida se trava nas relações - diárias, afetivas, sejam elas passageiras ou duradouras. É no outro que a gente se vê. É com o outro que a gente aprende.
De tudo isso, nesse momento, eu me pergunto: o que quero da vida? e ela, o que quer de mim? A certa altura chegamos nessa fase que buscamos um pouco mais de definição de rumo. No meu caso, nada definitivo ainda, por favor. Tenho medo do definitivo. Mas, o plano ideal passa a dar lugar ao concreto de um futuro não mais tão futuro, um pouco mais perto.
Não. Hoje [ainda] não é o meu aniversário. E para quem eu sei que pensa que eu daria uma ótima escritora de auto-ajuda... vou considerar seriamente essa possibilidade de ganhar dinheiro. Brincadeira, não disse nada além do que sinto e penso. Talvez hoje eu esteja mais sensível... a vida tem dessas coisas. Num instante qualquer, pega de surpresa, a gente se descobre assim.
postado por: Luisa 11:59 AM
Palavrinhas:
Sexta-feira, Maio 06, 2005
Por quê escrever às vezes é tão difícil? Falta assunto ou me falta a inquietude necessária?
Enquanto isso...
Ela não se permitiria errar mais uma vez. Era só olhar pra ele que seu corpo inteiro estremecia. Ela o sentia correr na veia. Cada gesto, cada palavra. Mas agora era diferente. Agora não poderia mais ser. O momento era outro. O tempo havia passado e não havia mais jeito de voltar atrás. Ela não entendia o que ainda a fazia cultivar sentimentos assim. Apesar de tantas contradições.
Ele a olhava sempre de um jeito novo. Como se estivesse vendo-a pela primeira vez. Isso a irritava, tanto quanto a enlouquecia. Julgou por tanto tempo precisar dele que agora que não o tinha as coisas pareciam fora do lugar. Mas ela sabia que voltar ao passado seria um erro. Nada do que ele parecia lhe oferecer seria suficiente. Porque, no fundo, ela queria muito mais. Ela queria tudo e não adiantaria dizer que ela nunca conseguiria. Idealizações são como desejos de realidade perpetuados em um sonho tão nítido que não se desfaz.
O que mais mexia com ela, na verdade, era exatamente aquilo que não dava certo. O que não batia entre eles. Como ele poderia ser a personificação de tudo o que ela desejava sem ser a melhor opção? Como ele podia tomar conta de sua vida sem ser o seu porto seguro? Ela já tinha tentado uma vez, duas, três. Sabia que não poderia mudá-lo. Mas mudá-lo, por quê? E pra quê? Se ela tinha sido feliz desse jeito e não de outro. Se gostava dele dessa forma, e não da maneira que lhe ensinaram a querer alguém. Mas ele não tinha o coração aberto. Ela sabia disso. E sabia que não dava certo assim.
Às vezes, ainda era difícil pensar que o homem que escolhera para si, por toda a sua vida, não era mais seu. E já havia se passado dois longos anos desde que se separaram de vez. Mas eram os seis anos de convivência diária e completa que ela carregava dentro de si. Todo o resto agora parecia apenas um desvio de caminho. Sua relação com outros homens depois dele, ela sabia, nunca foi de plenitude. Não porque faltasse ele, mas porque faltava um pedaço dela mesma. Ela havia se perdido em algum caminho qualquer e ainda não tinha tido a capacidade para se encontrar. Quando se ama demais e se renuncia uma parte de si para ser uma parte do outro, corre-se o risco de nunca mais conseguir encontrar o caminho de volta.
Ele, agora em frente a ela, ali de pé, lhe parecia diferente. Mais bonito, talvez. Continuava charmoso, mas algo no brilho dos seus olhos já não era o mesmo. Ela, igualmente de pé, bem que poderia estar ajoelhada. Lembranças e memórias corriam soltas em sua mente. Numa rapidez incrível, passava tudo novamente por seus pensamentos. Em questão de minutos, segundos talvez, ela reviveu uma vida inteira. Uma vida vivida ao lado daquele homem. O homem de sua vida. Aquele que lhe jurou amor eterno. A quem ela entregou seu coração.
Ele agora lhe pedia uma resposta, não com palavras, mas com o corpo todo. Ela entendia bem o que ele queria porque conhecia seu jeito. Já o tinha visto assim muitas outras vezes. Em cada briga, desenlace ou reconciliação, ele lhe aparecia com aquela cara. Em pouco tempo lhe ganhava outra vez. Ela não resistia, nem poderia. Mas agora, olhando bem em seus olhos, à procura de algo que já não estava lá, ela pôde finalmente ver. Seu olhar não era mais o mesmo, nem poderia ser. A ausência dela era a própria presença do que nele faltava. O que tanto buscava nos olhos dele não era outra coisa, senão ela mesma. E ela não estava mais lá. Como poderia, então, dar uma chance ao que não mais existia?
postado por: Luisa 1:02 AM
Palavrinhas:
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