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Terça-feira, Junho 28, 2005
meus pés...
algumas gotas de água, uma barraca e muito frio...
uma casa de pedra, uma lareira, uma fogueira e alguns amigos...
um pedaço de bolo, um café e um abraço...
músicas a qualquer hora, sossego e palavras ao avesso...
postado por: Luisa 6:55 PM
Palavrinhas:
Quinta-feira, Junho 16, 2005
Nesse embalo...
Às vezes, desejamos aquela calmaria pacificadora anterior a qualquer tempestade que possa irromper porta adentro. Mas a vida insiste em remexer caminhos e revirar o tempo. Tudo em constante movimento, entre um passo e outro, desta dança mágica, que já trilhavam nossos ancestrais. Ao redor desta ciranda, meu bem, há um círculo, há um ciclo que se cumpre. Vai e volta. Balança e se cai levanta. Não foi ninguém quem quis assim. E foi assim que se fez. Um minuto a mais... e o mundo era outro. Não vimos quando passou por nós. O vento soprava, e só então nos demos conta, aos pingos d'água, que a chuva vinha grossa. Arma tua rede, se deixe embalar. A vida ainda sossega.
postado por: Luisa 11:29 AM
Palavrinhas:
Sexta-feira, Junho 03, 2005
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
[Clarice Lispector]
postado por: Luisa 12:17 PM
Palavrinhas:
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