O Avesso da Palavra

Terça-feira, Dezembro 06, 2005


Antes que o sono venha...

Tarde da noite, os ruídos adormecidos e a cidade às escuras, minhas pálpebras ameaçam fechar e as pernas pedem repouso. Deito em minha cama, confortavelmente espalho os cabelos no travesseiro e dito e certo: a cabeça não pára um segundo e o sono não vem. Logo ele que estava agorinha mesmo aqui! Pensamento de cá, pensamento de lá, e o danado sumiu. Tento de um jeito, experimento de outro e nada parece ter efeito, a não ser me render a mais uma batalha e deixar que a mente trabalhe solitária. São essas talvez as melhores horas encontradas para refletir sobre tudo quanto passou durante o dia. E não só: sobre tudo quanto permanece adormecido em nós na maior parte do tempo. A noite é o momento em que é despertado o íntimo reservado em cada um. Despem-se as máscaras e resta a parte humana que nos cabe. É um interessante exercício reflexivo esse, o de consulta ao travesseiro. São nesses preciosos instantes que me desnudo e o pensamento voa mais longe. Me permito viver planos, sonhos, projeções e dúvidas. Ser quem não sou, mas aquela que poderia. Se tudo não fosse uma questão de "se". Reconstruo meus hábitos, refaço meus dramas e me desfaço em pedaços, entre as tantas quantas que há em mim. No fim das contas, deitar-se para dormir é um ato de profundo auto-conhecimento. Mas ainda que resolvidas ou não as questões impostas pelo silêncio da noite, há uma vida à espera para se viver; e de pouco adianta a luta com os lençóis, o dia vai raiar outra vez.

[27-11]

postado por: Luisa 11:32 PM Palavrinhas:


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