O Avesso da Palavra

Terça-feira, Janeiro 17, 2006


De um antigo artigo de fanzine universitário...


Manchete Velha

Ai, minha cidade da Bahia... que encantos e outros cantos envolvem teu viver? Da Cidade Baixa ao farol de Itapuã, que caminhos nos levam à tua baía santa? Em cada porta, uma janela. Em cada esquina, um olhar. Que fazem teus nobres sofredores neste duro caminhar? Das poesias de Gregório às notícias do jornal... que tênues linhas separam estas realidades? Dolorosas marcas deixadas pelo tempo que passa, deixando seu rastro em nossas veias. Dos antigos escravos e mulatos para os que hoje habitam periferias, terá mudado muita coisa? Não seremos ainda os mesmos, exibindo nossas novas máscaras impregnadas dos mesmos valores? No chão de terra tão exaustivamente pisada, os velhos preconceitos ainda acompanham nossos passos. Racismo, fome, corrupção, miséria; temperos de um sincretismo de muitos sabores. A Bahia de muitas cores revela seus segredos entre o sagrado e o profano. Crenças e religiões numa terra sem certezas. Vivemos cada amanhã sob o olhar de ontem. Mas como quem não quer nada, sempre tentando dar um "jeitinho" melhor de viver, esse povo baiano sofrido vai levando em frente a vida que carrega por séculos de existência. Os problemas ainda continuam basicamente os mesmos. De tudo isso, o que mudou, e o que ficou? Resta o pouco caso do conformismo, a indignidade de não ter o que comer, o velho coronelismo, a impunidade, a falta de vergonha na cara, a hipocrisia que cala, a opressão que grita, o tempo que passa e não parece passar...

postado por: Luisa 12:14 AM Palavrinhas:


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