Um papo, um ideal de vida...
Meu canto próprio. Revistas e jornais espalhados pelo chão enquanto o café dominical sai do fogo direto para minha larga caneca. No som: a voz do Chico ou, quem sabe, um pouco mais de Beatles. Aproveito para pôr a leitura em dia. De repente, escrevo até um texto. Se a praia não estiver me esperando lá fora, aproveito para marcar um almoço com as amigas e um programa cultural à tarde. Enquanto isso, relaxo na rede ou no sofá e curto o que está ao meu alcance. Na minha casa, três coisas não poderão faltar: uma boa biblioteca, uma coleção de discos e outra de filmes. Ao lado disso, e quando nada disso for suficiente, alguém com quem dividir, além do espaço, o gosto pelos mesmos hábitos. E além da cama, a vida.
Sim, o futuro não deveria ser assim pensado, apenas o presente intensamente vivido. Mas, afinal, o que fazer quando o que resta é todo o tempo livre de sobra?
Amèlie Poulain... e seu fabuloso destino de viver intensamente
Pelo prazer de quebrar a casquinha do creme brulè com a colher, ou pela deliciosa sensação de um desejo atendido. Pela surpresa do telefonema inesperado ou pela emoção do momento relembrado. Pelo sorvete na casquinha ou pelo brigadeiro na panela. Pela rede embalada na tarde ou pelo barulho do mar à noite. Pelo bilhete guardado, pelo rabisco, pelos versos, pelo livro e pelo gosto de achar palavras perdidas. Por qualquer coisa dita que faça mais sentido que o silêncio. Por tudo quanto é presente, e não passado. Por todos os instantes mais simples que compõem a vida e a tornam algo mais que a contagem do tempo em calendários secretos de astrólogos arbitrários.
há sonhos emprestados de prateleiras que nos incitam desejos e até algumas utopias, mas são os sonhos provocados por romances baratos ou fotos de desconhecidos numa praia emoldurada que mais doem. aqueles que nos soam tão próximos em nossas vontades e tão longe do nosso filme inacabado. fita onde atuam coadjuvantes, enquanto personagens principais de outros enredos roubam falas nossas, falas que deveriam ser nossas. dentro ou fora do cinema, por mais distante que minha imaginação alcance, o roteiro do qual ainda faço parte não parece ser meu...