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Segunda-feira, Maio 22, 2006
POEMA EM TRÊS MOVIMENTOS
I
Nossos gestos eram simples e transcendentais.
Não dissemos nada
nada de mais...
Mas a tarde ficou transfigurada
- como se Deus houvesse mudado
imperceptivelmente
um invisível cenário
II
Eu te amo tanto que
sou capaz de nos atirarmos os dois na cratera do Fuji-Yama!
Mas, aqui,
o amor é um barato romance pornô esquecido em cima da cama
depois que cada um partiu - sem saionara nem nada -
por uma porta diferente.
III
E em que mundo? Em que outro mundo vim parar,
que nada reconheço?
Agora, a tua voz nas minhas veias corre...
o teu olhar imensamente verde ilumina o meu quarto.
[Mário Quintana
dos Esconderijos do Tempo]
postado por: Luisa 2:50 PM
Palavrinhas:
Quarta-feira, Maio 10, 2006
my second - point three - chance
23 anos. O peso, quase uma obrigação, de ser adulta. De ter minha vida e muitas experiências pra contar algum dia. Essa falta de direção tão típica, essas tantas dúvidas, não já seria hora pra tudo isso terminar? Será mesmo que algum dia isso vai acontecer? Necessidade de... definir o que quero da minha vida. Mas, afinal, definições são mesmo saudáveis? Lá vou eu outra vez com as perguntas. Ando lendo "Sex and the City" (presente de uma amiga), assistindo a séries de tv moderninhas, ouvindo muita coisa nova, tendo papos diversos, conversas divertidas, e estudando literatura pop. Isso tudo me ajuda a apontar um caminho? Logo, logo, me formo e terei, naturalmente, que optar por um rumo outro qualquer. Sonhos são muitos e se eu tivesse bastante dinheiro, creio que não pensaria duas vezes. Não tendo, preciso correr atrás de algumas coisas. E, ainda, preciso fazer de tudo pra me tornar a mulher que sempre quis ser. Parte dela, sim, já sou. Quanto à outra, falta ainda descobrir se sou metade. No fundo, no fundo, ainda sou uma menina com vontade de rodar o mundo e descobrir a vida. Morar fora, ter meu canto, viajar mais, conhecer culturas, fazer fotos, filmes, escrever textos, livros... e, então, me assentar e partir para uma outra volta ao mundo, dessa vez, ao redor de mim mesma. Ah! E mais: terei companhia nessa jornada?
postado por: Luisa 10:12 PM
Palavrinhas:
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Porque muitas vezes eu estive à sua procura, espreitando as ruas, as festas coloridas e os dias de chuva fina. Porque alguns sonham em te encontrar, mas você demora tanto de aparecer que perdem até mesmo as esperanças e negam que você sequer exista. Esqueceram-se, eles, de que você foi a busca primeira e definitiva de suas vidas vazias e de tão pouco sentido. E eles realmente não crêem que há sentido nisso tudo aqui e talvez nem em você e eu. Estamos todos cansados da festa que não acaba, das pessoas que não vão embora, dos penetras que interferem sem ser chamados. E chegam, alguns, a cansar de você. Porque acham que a festa, afinal, não vai mesmo terminar. Mas eu digo que sim. E dou um basta nisso tudo. Vamos embora nós, primeiro. Mesmo que sejamos os anfitriões de um evento qualquer. Vamos embora. Vamos pra longe. Fugir da rotina de olhos cansados, gestos previsíveis e frases desconexas. Teoria demais me causa apatia generalizada, mesmo que seja eu também um deles. Pensar tanto o tempo todo não te cansa um pouco? Não te faltam sensações demasiadamente humanas? Dessas que não te deixam escapatória, a não ser sentir? Sentir e esquecer do resto, sentir e querer dar tudo para ir embora da festa do apartamento ao lado. Despedaçar-se e se refazer inteiro, intacto, porque se reconhece pedaços reunidos por um laço tão fino... e profundamente poderoso.
postado por: Luisa 2:07 PM
Palavrinhas:
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