O Avesso da Palavra

Sexta-feira, Julho 28, 2006


Entre só e bem acompanhada...

Qual o ponto de equílibrio entre estar solteira e estar compromissada? No primeiro caso, temos toda liberdade do mundo, somos autônomos, sem prazos a serem cumpridos, sem satisfações a serem dadas. No segundo, entretanto, estamos destinados a dividir nosso espaço. Não digo nem da nossa casa, mas da nossa vida mesmo. Os programas, os problemas, as manias, as idéias e mais uma porção de coisas. Há prazos, compromissos, satisfações. Estar acompanhada é confortável, é acolhedor. A gente se sente menos exposta, menos vunerável, talvez. E também porque a gente acostuma a isso tudo. Estar solteira também é muito bom, quando se está no momento propício, no tempo certo, na escolha própria. Ter alguém do lado é responsabilidade, é cuidado mútuo, é escolha também. Muitas vezes, porém, nos deparamos com as dúvidas. E a vida sem elas, a bem da verdade, seria chata demais. Como já perpetuou em versos, Lobão: "Como é que a gente pode ser tanta coisa indefinível, tanta coisa diferente, sem saber que a beleza de tudo é a certeza de nada e que o talvez torne a vida um pouco mais atraente?".

A questão é que, tantas vezes, estar acompanhada, a todo instante, há tanto tempo, ocupa muito espaço. Sobra menos lugar pra outras coisas. Nossa prioridade muda. E, então, em um dado momento, nos sentimos menos autônomos. E aí? Como fazer para encontrar um meio termo que nos ofereça variadas possibilidades? É preciso não correr o risco de se tornar dependente, de se tornar metade. É preciso aprender que alguém do lado é foguete, não é muleta. A gente chega mais rápido aonde quer. Quem se atrasa, é por conta própria. Não adianta estar só pra se sentir faltando pedaço, pra correr atrás de qualquer rastro de foguete lançado à distância. Nem, igualmente, estar junto pra sentir que a vida, própria, não conjunta, se esvai... nas amizades que não encontramos mais, nos telefonemas que deixamos de dar, nos programas de domingo que deixamos de ir. Bom mesmo é estar coladinho, lado a lado, pra seguir junto, mas cada um com o seu pedaço de estrada e a sua bagagem nas costas. Ora, te ajudo a carregar uma mochila, ora, você me ajuda com umas tralhas novas que adquiri no meio do caminho. Assim, fica mais fácil e, convenhamos, muito melhor do que ser apenas dona do nariz e não ter com quem compartilhar a viagem.

postado por: Luisa 10:47 PM Palavrinhas:


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