O Avesso da Palavra

Quarta-feira, Setembro 20, 2006


Jornalismo é um tipo de trabalho que não se faz só. Há peças chaves importantíssimas para a execução de qualquer pauta: as benditas fontes. Isso, quando não atrapalham. Há dois tipos delas, afinal, bastante pentelhas, para não dizer péssimas: as que falam de menos e as que falam de mais. Ambas, certamente, te fazem perder tempo. A primeira é daquele tipo que você gasta muitas perguntas, alguma paciência e quase não usa a caneta. Por todo lado que tente, a figura quase não fala; limita-se a respostas como sim, não e anhan. Você quase mastiga as palavras para pôr na boca da criatura, só pra ter como dizer que ela pensa alguma coisa e tem opinião. E, ainda, faz um esforço danado pra, quem sabe, conseguir umas aspas (declaração pessoal que valha a pena ser aspeada na matéria), o que às vezes torna-se quase impossível. Tempo perdido. Tem gente que, simplesmente, não sabe dar umas boas aspas ao pobre jornalista. Depois, reclama que a sua fala foi modificada. Que fala, cara-pálida?! Há que ser criativo.

O segundo tipo de fonte é aquele em que se perde igualmente muito tempo, uma hora e meia a duas de telefonema, quando tudo o que você precisava poderia ser dito em sete frases. Mas, ora, humanamente impensável que ela lhe diga apenas o que você quer e precisa. Não, não, ela vai te contar a história de todo o jogo de interesses político-partidários que perpassam as instituições públicas em ano de eleições. Isso, porque você apenas perguntou sobre algo específico no sistema de ensino em uma faculdade particular. Enquanto a fonte não pára a matraca, você corre desesperado contra o tempo, anotando em garranchos tudo quanto acha que ela esteja lhe dizendo e preocupado com quantos minutos faltam para fechar a matéria - lá pela metade das respostas você, provavelmente, já se perdeu e não lembra, afinal, qual foi a sua pergunta inicial. Algumas horas e orelhas quentes depois, o pior estar por vir: organizar todas as incontáveis informações que tem, o que talvez desse pra compor umas três matérias, e vasculhar uma aspas entre tantas longas falas mal colocadas. Há que ter jogo de cintura.

postado por: Luisa 11:09 AM Palavrinhas:


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