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Sexta-feira, Outubro 27, 2006
Beijo Delivery
Apressado, trânsito maluco da cidade. Pelo telefone, ele avisa que quer me ver. Do outro lado, ao computador, repasso atrasada um texto com prazo estourado. Faz quantos dias que a gente não se vê? Pergunto, quase ao mesmo tempo em que ele responde quatro, sem precisar de cálculos. Nossos encontros andam escassos, ele ainda complementa. Buzina, semáforo, cheiro de asfalto, ao redor dele tudo gira. Na minha cabeça, letras e palavras desconexas. Pululam sentidos inexatos, contextos inacabados, histórias sem começo ou final. A música de fundo toca no carro dele e era tudo o que eu precisava ouvir. Vem rápido, digo antes que pareça perder tempo.
Nossos calendários não têm se cruzado, ultimamente. Tenho vivido um tempo outro qualquer. Ele, por outro lado, vive sempre uma semana adiantada. Nossos horários se confundem, se perpassam, se desviam e vão embora. Cada um para o seu lado. Por isso, nesse momento, com o mundo de perna pro ar, aceito a oferta dele. Vou aí te entregar um beijo, ele diz. E eu tomo isso como a entrega de um singelo prêmio que vem para me abençoar. Se me dessem de presente agora um daqueles brindes-surpresa que eu adoro, não seria tão bem-vindo... e ele ri. Uma daquelas risadas que me faz querer mudar a rota dos meus planos e me fazer menos incerta, menos dura e mais acessível.
Então, sentada, apenas aguardo. Ele ultrapassa todos os obstáculos e vem. O toque no celular é o sinal para descer. A chuva fina, o farol aceso. Entro rapidamente no carro. Olhamos para os lados, nos certificamos de que não há ninguém por perto. Então, o beijo. Um leve toque de lábios, um olhar enviesado - mais uma vez, para os lados. Tudo certo: tudo pára. Naquele instante, estamos livres. Somos dois. Somos um. O tempo volta a rodar. O relógio marca as horas, no painel aceso. Realidades distintas nos chamam. Entrega rápida, ele sorri. E vai embora deixando esse gosto na boca que não se sabe definir, tampouco, esquecer.
postado por: Luisa 11:10 PM
Palavrinhas:
Segunda-feira, Outubro 16, 2006
Tenho 23 anos e nessa idade ser solteira e morar na casa dos pais ainda me parece bom demais. Conforto e apoio constantes. TV à cabo no quarto, computador com internet, ar-condicionado, carro na porta, e tudo isso sem saber o que é ter de pagar contas ou encher o tanque. Mas, vez por outra, pisca um alarme dentro de mim: não estou ficando mais nova, já me formei e já passei da idade de não fazer tudo por conta própria. Daí pinta aquela vontade de ter um canto, uma coleção de discos empilhados na estante da sala reservada para mim, uma outra pilha de DVDs, com todos os clássicos que eu quiser e as comédias românticas bobas que preferir, sem falar na minha biblioteca particular, com estantes recheadas de livros. Um quarto, uma cama grande, um ar-condicionado também, é claro, e mais uma varandinha discreta para ler revistas, aos domingos pela manhã. Alguém trazendo o café quente e talvez palmier para acompanhar. A minha sala-de-estar bem decorada, com objetos escolhidos por mim mesma, em lojas bacanas e feiras ao ar livre de outras cidades. E tenho muita vontade de viajar o mundo, conhecer os lugares, os países, as lojinhas, os cafés, as praias, as montanhas, as culturas diversas. E fazer tanta coisa ainda, que espaço talvez faltasse. Enquanto isso, ainda sigo com meus planos, sonhos e incertezas, até achar a porta de entrada para uma outra fase da vida.
postado por: Luisa 11:14 PM
Palavrinhas:
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
Sono.
Trabalho/Internet.
A grande descoberta da noite foi o novo blog do Takeda, que já existe desde julho. Pensava que ele tinha desistido de escrever bobagens e etc... e eu já tinha cansado de procurar por um novo endereço no google. Hoje, assim de repente, encontrei.
Digam o que quiserem do cara. Mas gosto de ler os textos pessoais e apaixonados dele.
Sei lá, me dá vontade de ouvir coisas novas e escrever mais...
postado por: Luisa 11:58 PM
Palavrinhas:
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