O Avesso da Palavra

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006


Ho Ho Ho

Pode estar o calor que for lá fora, mas na maioria das casas, estabelecimentos comerciais, empresas, propagandas, o barbudo está lá: em calças e mangas compridas, barriga enorme e muita cabeleira branca, geralmente próximo a um pinheiro enfeitado por neve (leia-se flocos de algodão). Sim, o tal Papai Noel. Existe figura mais ridícula e sem nexo no nosso folclore? Talvez porque ele não faça parte do folclore, não o nosso. É simbologia importada de outra cultura... vem lá do Polo Norte, junto com todas aquelas renas. Alguém já viu alguma nesse lado de cá do Equador, seja na terra ou ridicularmente voando no céu? Tenho pena das crianças que realmente acreditam nesse senhor bondoso e irreal, juro que tenho. Acho uma falta de respeito com elas inventar essa mentirada de bom velhinho que na noite do Natal desce pela chaminé (???) para entregar presentes. E as milhares de crianças anônimas nas ruas, passando frio e fome? Quem dá o presente delas, o mesmo Papai Noel? Quem olha para elas, quem cuida, quem liga? Os pequenos que têm boas condições de vida, que têm pai e mãe para comprar presentes, crescem com essa visão distorcida da realidade, que há um senhor distribuindo brinquedos pelos quatro cantos do mundo. Mas, veja, se eu trabalho para ganhar o dinheiro que irá bancar os presentes dos meus filhos ou sobrinhos, quero que eles saibam que quem está presenteando sou eu! E não um barbudo de roupas bizarras que a gente nem conhece. Tenha paciência. E no fim das contas, os pequeninos crescem mais um pouco e descobrem apenas uma coisa: foram iludidos. Outro dia ouvi alguém comentando uma situação que achei muito interessante e representa bem tudo isso. Uma garotinha ouviu dizer por aí que o tal Papai Noel que ela tanto acreditava não existia. Frustrada, contestou: eu acho que ele existe sim, mãe, porque eu não acredito que você ia fazer isso comigo! E depois, espertos são os adultos hem.

postado por: Luisa 11:43 PM Palavrinhas:


Quinta-feira, Dezembro 14, 2006


Aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Aldo Rebelo:

Sou cidadã brasileira e, acredito como a maioria da população, fico indignada ao saber que, como se já não bastasse os parlamentares receberem mais de R$ 12 mil para exercer um cargo político, que dá direito a tantos benefícios, vocês ainda votam pelo aumento em quase 100% do próprio salário. Eu só pergunto uma coisa: como vocês ainda conseguem botar a cabeça no travesseiro e ter uma noite tranquila, sabendo que na rua há milhares morrendo de fome, ao relento, passando frio, imersos na desigualdade social que provoca a violência? Para mim, esse salário dobrado (R$ 24,5 mil !!!!) é asqueroso - é o mesmo de estar roubando dinheiro daquele que já não tem. Porque... me diga, para que vocês necessitam dessa grana toda? Vão fazer o que com tudo isso, construir escolas, casas populares, dar terra aos que não a tem, tirar crianças da rua e da miséria? Não vão! Vocês já vivem bem, estão ricos, têm carros, casas, roupas boas, todo o conforto. Há muitas pessoas, porém, que não têm menos da metade disso... será que esse dinheiro a mais não ajudaria a fazer um país melhor e mais justo, se fosse devidamente aplicado? Aplicado às necessidades dos mais pobres. E eu me questiono: que espécie de políticos são vocês, que deveriam servir ao povo e não às próprias contas bancárias? É simplesmente revoltante, triste e injusto.

Luisa Torreão - Jornalista - Salvador-Ba

**se de alguma coisa serve, eu não sei, mas enviei esse desabafo por e-mail hoje...**

postado por: Luisa 11:58 PM Palavrinhas:


Home