O Avesso da Palavra

Segunda-feira, Junho 11, 2007


Sábado à noite, passando canais da TV aberta, eis que me deparo com uma pérola trash da melhor (pior, aqui, seria sinônimo) estirpe. Eu pensava que aqueles programas à la Gugu e companhia já haviam sido extintos - quem não lembra do "Sabadão Sertanejo" (eca!)? Pois, não é que o SBT ainda insiste? A bola da vez se chama "Viva a Noite". Qual a minha surpresa ao constatar que a apresentadora é, ninguém mais, ninguém menos que Gilmelândia - sim, ela mesma, cantora de axé, ex-Banda Beijo. Se isso já me pareceu algo estranho... o surreal ainda estava por vir. O cardápio de convidados passava do bizarro ao grotesco facilmente.

Em primeiro lugar, foi convidada ao palco uma antiga paquita, sabe se lá o nome, vestida à caráter e tudo mais. Logo depois, a incrível Mara Maravilha, ex-apresentadora de programa infantil que virou crente e se declarou emocionada por voltar ao canal onde começou a carreira. Depois veio a Flor, não sei se alguém ainda lembra dela, mas trabalhou como ajudante, ou qualquer coisa do tipo, do Gugu... era loirinha e fazia o tipo bonita com roupinhas curtas, hoje, muitos anos depois, está com vários quilos a mais, que nem o péssimo figurino (saia jeans por cima de uma leg preta) conseguiu disfarçar. Foi então a vez de trazer ao palco a equipe masculina, afinal, o programa seguia a linha 'joguinhos idiotas de competição, mulheres contra homens'. Preste atenção nos tipos: Sérgio Malandro - quando ele vai se tocar de que aquelas roupas e aquelas piadas infames são, no mínimo, patéticas?? - um ex integrante do há-muito-finado Trem da Alegria e outro cara lá que nem sei quem era.

Para completar, entra Supla de muleta e pulando feito um saci, com aquele mesmo cabelo descolorido e horroroso pra cima, uma espécie de ajudante ou sabe-se lá o quê. Resumindo: total revival do mais trash dos anos 80. E quando Mara foi chamada para cantar? Se você foi criança no fim dos 80 e início dos 90, deve lembrar desse refrão chiclete-entediante: "Não faz mal, eu tô carente mas eu tô legal". Agora imagine a cena: ela dublando um belo de um play back, provavelmente a gravação original, pois era a mesma voz aguda e infantil dos tempos idos, enquanto os demais convidados tentavam arranjar o que fazer nessa mega-pagação, balançando pernas e braços pra todo lado, e o Supla permanecia sentado em uma cadeira, impassível, de muleta e com cara de mal. Pior: uma mão gigante e uma ave amarela - dessas figuras que as pessoas se fantasiam - ficavam rodando pelo cenário. De repente, não é que a Flor resolve abraçar a mão (gigante e completamente sem qualquer significado no contexto), ou melhor, resolve ser abraçada por dois dedos, o indicador e o anelar, sobrando, adivinha, um baita dedo do meio em riste para toda a platéia e os telespectadores? Genial.

Juro que não estou aumentando nada. Era altamente trash, como poucos conseguiriam ser. Fantástico como o pop, de pior qualidade, tem essa surpreendente capacidade de se reeditar, de se alimentar do próprio lixo, do que já não serve. Algo como ressuscitar os mortos. E mais incrível ainda como a televisão aberta nacional ainda insiste na péssima qualidade de seus programas, sem qualquer receio ou 'simancol'. E, cá pra nós, viver do passado, como esses antigos personagens que já tiveram os minutos de glória e agora tentam disfarçar a inegável decadência, é simplesmente... lamentável.

postado por: Luisa 11:55 PM Palavrinhas:


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